Este é o depoimento mais atual de minha mãe, Judith Abrunheiro Trindade (nome de solteira foi Judith de Moura Abrunheiro), sobre a vida de meu avô.
"Quando papai deixou Portugal, nossa irmã Virgínia tinha 2 anos. Falava muito da filha que tinha lá deixado. Veio para o Brasil mas não sei ao certo como foi e em que ano aconteceu. Falava muito que tinha participado da revolução de 1924¹ e que foi deportado pelo governo do Brasil para o Oiapoque junto com outros colegas portugueses². Depois de um tempo, o governo enviou um navio para levar quem quisesse de volta à Portugal. Ele não quis voltar e foi para a cidade do Amapá, onde trabalhou como carpinteiro para o Sr. Vicente Pontes (parente do compadre Mário Pontes), quando deve ter conhecido minha mãe, Maria de Nazareth, casando-se em 1930. O pai da mamãe era criador de gado. Nasci no lugar chamado Queimadas em 1930. Viemos para Belém em 1932, onde moramos na Cidade Velha. Aqui papai trabalhou para um português do qual não gostava e veio um dia à se aborrecer com ele e por causa desse desentendimento foi preso. Minha mãe foi até o governador Barata que o mandou soltar. Fui batizada em Belém, na Igreja da Sé em 1932. Voltamos para as fazendas, Calçoene, em 1938, onde papai foi trabalhar com o compadre ‘Tonho’ e Vicente Sobrinho em Lago Novo. Mamãe morreu em 1943. Depois fomos para a cidade do Amapá em 1944, e depois para Macapá. Papai trabalhou na construção da ponte de Tartarugalzinho em 1952. Foi para lá com a D. Fausta e ficamos eu e a Rosilda, em Macapá.”
¹) Quem se candidata à pesquisar este fato? Como usaram portugueses neste evento? Noutra postagem vou falar das aventuras que meu avô me contou.
²) Fato interessantíssimo!
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